Há músicos que tocam instrumentos. E há aqueles que, como Mauricio Einhorn, tocam o espírito do tempo. Aos 93 anos, este virtuose da gaita não apenas interpreta melodias; ele as transforma em narrativas que ecoam as marés da memória e os ventos da celebração. No espetáculo proposto ao edital Palavra Líquida, Mauricio conduz o público por uma jornada onde o tempo se dilata e a festa se reinventa, como um poema sonoro em constante recriação.
Este espetáculo é uma celebração íntima e expansiva, onde cada canção carrega o peso da história e a leveza da reinvenção. Revisitar composições dos álbuns ME – Mauricio Einhorn (1980), Travessuras (2007), e Afinidades (2022) não é apenas um ato de nostalgia, mas uma reafirmação da vitalidade da música como linguagem que atravessa gerações.
O repertório traça um arco poético que explora as nuances do tempo:
“Batida Diferente”, um convite ao movimento incessante da vida;
“Limbo”, uma ponte entre o lirismo e a introspecção;
“Sketch” e “Nuvens”, pinturas sonoras de transitoriedade;
“Tristeza de Nós Dois”, onde o tempo revela sua face melancólica e, paradoxalmente, luminosa
