
Palavra Líquida reflete sobre os riscos da palavra
Edição homenageia Miriam Alves e Éle Semog e reúne literatura, música, cinema, dança e artes visuais no Sesc Tijuca
O que significa fazer da palavra um gesto de criação e ruptura? É a partir dessa provocação que o Palavra Líquida realiza sua 11ª edição, entre os dias 4 e 13 de setembro, no Sesc Tijuca. Com o eixo “Risco”, o projeto promove encontros entre literatura e diferentes linguagens artísticas, reunindo escritores, músicos, artistas, pesquisadores e outros criadores em uma programação gratuita. Nesta edição, o Palavra Líquida homenageia os escritores Miriam Alves e Éle Semog, referências da literatura negra brasileira.
A abertura acontece no dia 4 de setembro, no Teatro 1 do Sesc Tijuca, guiada pela artista Tatiana Henrique, com apresentações de Jamile Cazumbá, Valéria Monã e do grupo Complexo Negra Palavra, além de conferência do escritor e jornalista Oswaldo de Camargo. Um dos nomes pioneiros na construção de uma literatura negra brasileira, Oswaldo de Camargo, que está celebrando seus 90 anos, abre a programação representando uma geração que ajudou a abrir caminhos para escritores que vieram depois, entre eles os homenageados desta edição. O encontro propõe reflexões sobre literatura negra, memória, oralidade e criação artística.
Essa perspectiva de continuidade atravessa a programação literária, que coloca os homenageados em diálogo com escritores, artistas e pesquisadores de diferentes trajetórias. A presença deles se estende por diferentes momentos da programação. No dia 5, Éle Semog participa da mesa “Sublinhar Permanências: memórias negras e continuidades”, ao lado de Dom Filó e Rei Black, com mediação de Vicente Costa. O encontro discute formas de preservação e transmissão da memória negra contemporânea por meio da literatura, da arte e da produção cultural.
No dia 6, Miriam Alves conduz a vivência “Riscos da Palavra: Memória, Corpo e Criação”, voltada à escrita criativa e aos processos de construção de narrativas negras. A escritora também participa do encontro “Ar-riscar o Mundo: Poéticas da Presença”, ao lado de Carmen Luz e Bia Ferreira, com mediação de Dandara Suburbana. Na sequência, Bia Ferreira apresenta um show poético intimista na biblioteca da unidade.
A programação também promove um olhar sobre as trajetórias dos dois homenageados na literatura negro-brasileira. Na mesa “Alinhavar caminhos: os vincos da literatura negro-brasileira”, Vagner Amaro e Heleine Fernandes, com mediação de Yasmin Santos, percorrem os caminhos de Miriam Alves e Éle Semog para refletir sobre as relações entre vida, criação e pensamento, além das marcas deixadas por escritores negros na literatura brasileira.
A relação entre literatura, memória e produção cultural negra também chega ao audiovisual. O documentário “Cadernos Negros”, de Joel Zito Araújo, será exibido em sessão seguida de bate-papo com o diretor e os homenageados Miriam Alves e Éle Semog, com mediação da jornalista Carla Nascimento.
A programação musical amplia o diálogo com diferentes expressões da cultura negra. Carlos Dafé, um dos nomes históricos da soul music brasileira, se apresenta ao lado de Taís Feijão. Também integram a programação o espetáculo “Afruturo”, de Ro Araújo, que aproxima referências afro-brasileiras e linguagens contemporâneas; a apresentação do coletivo Catumbi 27, dedicada ao samba das primeiras gerações das escolas cariocas; e o encerramento com o coletivo DigitalDubs, referência da cultura sound system e da difusão do reggae e do dub no Brasil.
Durante os finais de semana dos dias 5, 6, 12 e 13 de setembro, a unidade recebe a Feira Palavra Líquida, com livros, publicações independentes, zines, ilustrações, artesanato e gastronomia. O espaço também terá atividades abertas, como a Vivência de Percussão e Cortejo com o Bloco Afro Batikum Ilú Odara, que apresenta ritmos afro-diaspóricos por meio da prática musical e corporal.
O eixo “Risco” se manifesta ainda em experiências de criação que aproximam palavra, imagem, corpo e matéria. Entre as atividades estão a oficina “Tempo de Olhar: vivência de haicai no papel artesanal”, com Ana Vine; a atividade de criação de quadrinhos conduzida por Anderson Awvas; a vivência “Cartografias monstruosas”, com a escritora e ilustradora espanhola Olga de Dios; e a Vivência Batik Experimental com Xilopretura, dedicada às relações entre literatura, símbolos adinkras e técnicas de estamparia manual.
Nas artes visuais, a exposição “Conselho para Ontem” reúne Iahra, Luma Nascimento, Jamile Cazumbá, Marcus Deusdedit e Andre Vargas na Biblioteca do Sesc Tijuca, em quatro instalações e uma performance. Com curadoria de Camilla Rocha Campos e assistência curatorial de Gabe Gamaliel, a mostra integra a programação do Palavra Líquida e, a partir do eixo “Risco”, pensa a linguagem como matéria de afronte e como gesto de revisão e responsabilidade sobre o passado. Com abertura marcada para o dia 19 de setembro e permanência até 11 de novembro, após o encerramento da programação principal do projeto, a exposição contará ainda com show da artista Azula.
No dia 11, o projeto Entrestantes promove o bate-papo “Mediar caminhos: sublinhar encontros”, com Thiago Elniño, Leandro Virginio e Tatiana Henrique, com mediação de Anderson Barreto. A conversa aborda a mediação cultural como prática de escuta, aproximação e construção coletiva de sentidos, discutindo as relações entre arte, literatura, território e comunidade. Na sequência, Thiago Elniño apresenta um pocket show de “Canjerê”, concebido especialmente para a ocasião a partir de seu novo álbum.
Para o público infantil, o Palavra Líquida apresenta atividades que aproximam literatura e referências africanas e afrodiaspóricas. O espetáculo “Luanda Ruanda – Histórias Africanas” reúne contos, lendas e mitos por meio da oralidade e da música. O Clubinho de Leitura Adinkras, mediado por Camila Zarite, propõe uma aproximação entre literatura e referências da cultura afrodiaspórica. Já “O Navegar da Canoa” terá duas sessões voltadas a bebês e crianças pequenas.
As artes cênicas também integram a programação com “Do Nada, o Amor”, da Companhia Urbana de Dança, espetáculo inspirado nas obras dos homenageados, que reúne intérpretes negros para refletir sobre afetos, ancestralidade e experiências amorosas a partir da dança contemporânea.
Com dez dias de programação, o Palavra Líquida transforma o “Risco” em ponto de partida para pensar a palavra como território de memória, criação e experimentação, colocando em diálogo diferentes gerações, linguagens e formas de expressão. Para conferir a programação completa, acesse sescrio.org.br/palavraliquida.
SERVIÇO
Palavra Líquida 2026
Período: 4 a 13 de setembro de 2026
Local: Sesc Tijuca (Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca)
Entrada: gratuita
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